OPINIÃO: O Outsider


A eleição no Distrito Federal seguiu o padrão nacional. Isto significa que o sentimento de rejeição aos políticos tradicionais se tornaria a tônica do pleito. Certamente, estaríamos diante de uma clara renovação, tanto no governo, quanto nos assentos do parlamento. Desde o princípio, foi uma eleição desenhada para a chegada dos outsiders na política.

Quem primeiro entendeu este movimento foi o governador eleito. Ibaneis Rocha vislumbrou desde o princípio que a tendência de renovação atingiria também o Buriti. Sua tarefa ficou mais fácil perante a ausência de novos nomes na corrida eleitoral. Diante de leque de candidatos com um histórico na política da cidade, a tarefa de encarnar a figura do outsider ficou mais fácil.

Do outro lado, ninguém tinha tarefa mais difícil do que Rodrigo Rollemberg. Se Ibaneis carregava a bandeira da novidade, Rollemberg encampava uma disputa pela continuidade. Seria certamente uma eleição desigual, e se ambos se confrontassem no segundo turno, o outsider largaria como franco favorito. Foi o que ocorreu. O atual governador dificilmente conseguiria se vender como o novo em meio a uma tentativa de reeleição.

Os outros nomes apenas completaram o cenário para que Ibaneis trafegasse com tranquilidade em direção de uma vitória segura. Eliana Pedrosa, Alberto Fraga e Rogério Rosso formaram uma trinca de políticos tradicionais, que aliados a Rollemberg, completaram a configuração perfeita de uma disputa entre establishment e outsider.

O Distrito Federal apenas vivenciou o mesmo movimento que levou Jair Bolsonaro ao Planalto. A cada 30 anos a política brasileira passa por uma renovação de fundo, quando tende a substituir aqueles que transitam no poder por figuras novas. Na verdade, aquele que entende o processo e sabe encarnar a figura do outsider, melhor que os competidores, larga em franca vantagem. Foi assim com Fernando Collor em 1989, que encerrava o período militar, com Jânio Quadros em 1960, terminando com o getulismo e com o próprio Getúlio Vargas em 1930, colocando um ponto final da República Velha. Jair Bolsonaro encerra o período da Nova República.

Ibaneis Rocha está ciente deste processo e governará de olho no futuro. Sabe que uma boa administração em Brasília pode catapultar seu nome nacionalmente. Para isso, tem se cercado de nomes que fornecem trânsito na política nacional e podem ajudá-lo a alçar voos maiores. Agora, sua habilidade política será colocada em xeque, diante de uma Câmara Legislativa fragmentada e renovada e uma bancada federal que também passou por uma forte mudança. Fato é que Ibaneis chega ao governo impulsionado pelo sentimento de mudança e uma vontade de fazer política de uma forma diferente. No Buriti, terá que reinventar a política para reorientar o Distrito Federal. Fará um governo mirando no horizonte que se desenha logo mais à frente.

Márcio Coimbra é mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (Espanha) e estrategista político com experiência em campanhas eleitorais no Brasil, Europa e Estados Unidos.

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Márcio Caetano