OPINIÃO: "Motivação e transformação pelo esporte", por Arnaldo Cezar Coelho


Aos nove anos de idade, Vinícius Júnior foi descoberto pela escolinha de futebol Fla Social, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Cerca de oito anos depois, o jovem atleta foi negociado ao Real Madrid por 45 milhões de Euros.

Esse é um dos exemplos de como a prática esportiva pode mudar a vida de meninos e meninas em todo o Brasil. O caso de Vinícius demonstra o papel fundamental que as escolinhas das categorias de base, os profissionais de Educação Física e as famílias exercem para descobrir e apoiar talentos em carreiras esportivas.

Mas, para que possamos ter gerações de Vinícius em todo o Brasil, é necessário que as escolas aprendam maneiras mais atraentes de fazer com que os jovens pratiquem esporte.

Durante 19 anos, onde fui professor de Educação Física no Colégio Federal Dom Pedro II, no Rio de Janeiro, fiz de tudo para fazer com que os jovens tivessem mais interesse em praticar esportes do que jogar videogame e, mais recentemente, navegar na internet.

Além disso, como convencer um aluno a praticar uma aula de Educação Física por 50 minutos, sendo que ele tem que voltar para a aula de Matemática? Ou ainda fazer com que ele saia de uma frequência cardíaca de 60 a 80 batimentos por minuto, subindo para 120 a 130 na prática de exercícios, e volte para uma aula de Física?

O segredo está na motivação. Mais do que demonstrar a importância do exercício físico para a saúde do jovem, as escolas precisam convencê-lo que o esporte é muito mais interessante do que outras atividades que não lhe renderão benefícios no presente ou no futuro.

A partir desse questionamento, criei uma associação esportiva dentro do colégio, com diretores de várias modalidades do esporte, para organizar campeonatos entre as turmas. Então, os garotos começaram a descer para treinar e depois para disputar o torneio.

Eu, que tinha dificuldades de atrair os alunos para a Educação Física, comecei a receber reclamações dos professores de outras matérias, dizendo que nos dias de jogos não sobrava um aluno sequer para dar aula, por que os garotos desciam para jogar ou apoiar os seus colegas. Então, descobri que a competição entre as turmas era muito mais atrativa do que a aula de Educação Física, no método tradicional.

A partir dessa experiência, repliquei a mesma metodologia em minha retransmissora da Globo, em Resende, no Rio de Janeiro. Só que agora, em vez de alunos, passei a fazer o campeonato com as comunidades e cidades. O desafio então passou da educação dos alunos para, agora, a educação das torcidas de cada uma das cidades representadas na competição.

Dessa forma, chego à conclusão de que quanto mais as escolas, as instituições e o Governo promoverem competições entre os jovens e entre as comunidades, mais o esporte será valorizado. Esse é um primeiro exemplo para se fortalecer a disciplina de Educação Física e o esporte de forma geral, desde à infância até a vida adulta.

Assim como o Vinícius, qualquer outro garoto de Sobradinho, Taguatinga e do Distrito Federal também pode apostar no esporte. Por que todas as pessoas, jovens ou não, têm o direito de sonhar, como eu sonhei quando era um garoto de praia em Copacabana.

É o que eu sempre falo para toda a garotada, a Regra é Clara: Você tem que viver um sonho. Para isso, precisa ter um projeto de vida!

Arnaldo Cezar Coelho é comentarista de futebol dos canais Globo e foi o árbitro da final da Copa do Mundo de 1982, na Itália.

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Márcio Caetano