Lucia Willadino, Diretora da Rede SARAH de hospitais


Atendimento, metas, resultados e rigor técnico fazem da Rede SARAH uma referência internacional e um modelo a ser seguido. Em entrevista, a Diretora Lúcia Willadino relata o desafio de gerir nove hospitais públicos, com um índice de satisfação de 99%.

O que diferencia os hospitais da Rede SARAH dos demais hospitais públicos do país?

Inicialmente, é importante ressaltar que trabalhamos fundamentados na filosofia humanista, de forma interdisciplinar e com base em evidências científicas.

Alguns elementos nos diferenciam dos outros hospitais e garantem a qualidade dos serviços: a dedicação exclusiva de todos os profissionais e a não terceirização de serviços. No treinamento inicial, o auxiliar de higiene, por exemplo, vê as bactérias no microscópio, aprende como agir para evitar transmissão de infecção e, com a participação de todos, temos um dos menores índices de infecção hospitalar do mundo.

Todos os atendimentos são públicos e os recursos financeiros vêm exclusivamente do orçamento da União. Para garantir o recebimento, precisamos demonstrar o cumprimento de metas. Assim, não recebemos por procedimento realizado e sim pela análise de nossos resultados.

Em relação à sociedade, além de atendimentos médicos e de reabilitação, oferecemos também programas educacionais. Recebemos por ano, em média, 11 mil profissionais e estudantes de outras instituições.

Quais os principais desafios para gerir a Rede SARAH?

Manter a qualidade e excelência em todas as nossas unidades, garantir que o usuário receba o mesmo nível de atenção em qualquer um dos nossos hospitais. Sabemos que os nossos resultados vêm se mantendo com alto nível de excelência, mas o maior desafio é melhorá-los. Não se pode achar que já se atingiu um padrão bom, que já venceu, sempre existem processos a melhorar e novos conhecimentos para adquirir e compartilhar.

Com a grande velocidade do desenvolvimento da ciência também é fundamental manter a atualização científica por meio da qualificação constante das equipes para garantir aos usuários o melhor e o mais atualizado tratamento.

Também temos muitos desafios em outras áreas. Atualmente, temos um grande projeto de sustentabilidade ambiental. Estamos implantando energias limpas em toda rede, barateando o custo e protegendo o meio ambiente.

Qual é a sua opinião sobre o SUS? Deveria ser privatizado?

Penso que a privatização não é um caminho. Entendo que precisamos muito melhorar a qualidade do atendimento realizado pelo SUS. Desenvolver sistemas de auditoria e de controle sobre o que está ocorrendo. É necessário que os gestores do SUS sejam instrumentalizados com ferramentas que possibilitem uma boa gestão.

A informatização é uma grande aliada da gestão hospitalar. Se conseguirmos ter em todo o SUS prontuário eletrônico, sistema de gerenciamento hospitalar, de gestão de pessoas, de materiais, de estoques, de patrimônio e de contratos, a situação muda, pois a informação fica transparente a todos os profissionais e os diagnósticos de problemas ocorrem em tempo real, permitindo uma solução ágil.

A Rede SARAH é reconhecida internacionalmente, por sua excelência técnica, de tal forma que contrasta com o cenário dos hospitais públicos do Brasil. Por que esse contraste ocorre?

Um ponto fundamental é o desenvolvimento da pesquisa. Temos excelentes pesquisadores no Brasil, muitos profissionais altamente qualificados e capazes de gerar conhecimento de ponta e compartilhá-lo com comunidade científica internacional. É necessário que os hospitais ofereçam possibilidades de pesquisa em serviço, instrumentos e materiais que viabilizem que as mesmas sejam desenvolvidas. Foi a partir de projetos internos de fomento à pesquisa que a Rede SARAH se tornou a referência internacional que é hoje. Atualmente, temos acordos de cooperação com diversas instituições nacionais e internacionais como a Universidade da Califórnia (UCLA), de Massachusetts, de Tulane (Estados Unidos), Collège de France (na França), Universidade de Aachen (Alemanha), Universidade Queens (Reino Unido), Hospital de la Santa Creu e San Pau (Catalunia).

Antes, mandávamos os filhos estudarem na Europa ou na América do Norte, hoje, recebemos alunos da Universidade de Ciências Aplicadas de Haia, na Holanda. A partir deste ano, vamos receber também médicos residentes da Universidade de Massachusetts nos Estados Unidos para passar um ano conosco aprendendo Neuroreabilitação.

Qual é o impacto da redução dos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento na Saúde brasileira?

Os danos podem ser imensos. O desenvolvimento científico é fundamental em todas as áreas do conhecimento. O conhecimento gerado em outros países pode ser aproveitado aqui, mas temos nossos próprios problemas e nossas próprias características, então, só a pesquisa importada não funciona. Temos situações muito especiais, como foi a epidemia pelo vírus da Zica, entre muitas outras. Precisamos gerar conhecimento a partir da nossa experiência, e a pesquisa é o caminho para isso. É preciso que o poder público entenda que pesquisa não é luxo, é necessidade básica de uma nação do porte da nossa.

O que é necessário para que um paciente seja atendido em uma das unidades?

Para garantir a universalidade e a equidade no acesso aos nosso serviços, implantamos um serviço direto e simplificado de solicitações de consulta, por meio de preenchimento de formulários eletrônicos em nosso site na internet. Sensível à exclusão digital ainda existente no país, mantivemos a possibilidade da solicitação ser feita pessoalmente ou por meio da Central de Atendimento Telefônico.

O pedido de atendimento pode ser feito pelo interessado, por seu responsável legal, por profissionais de saúde ou pelas Secretarias de Saúde Estaduais ou Municipais. Uma vez cadastrada no sistema, a solicitação é encaminhada ao processo de avaliação realizado por equipe técnica especializada.

O agendamento direto e imediato é oferecido a bebês com idade entre 0 e 18 meses, pois nesta etapa da vida não deve haver demora no acesso a especialidades como Pediatria do Desenvolvimento, Ortopedia e Cirurgia Plástica Reparadora.

Para as demais faixas etárias, a triagem e agendamento são realizados a partir de critérios listados no site da Instituição, na seção Rede SARAH. Concluída a solicitação de atendimento, o usuário recebe um número de protocolo que lhe permitirá acompanhar o andamento de seu pedido. A resposta à solicitação é dada, em média, em sete dias, mas pode ocorrer até no mesmo dia. As consultas são agendadas em 30 ou no máximo em 90 dias, após a avaliação.

Todas as operações relacionadas com o atendimento são monitoradas por um sistema que integra as nove unidades da Rede SARAH.

Existe, por parte da administração do hospital ou por parte do governo, o objetivo de expandir a Rede SARAH para mais cidades?

No momento não há nenhum planejamento de expansão. A criação de uma nova unidade depende essencialmente de que o governo federal disponha de recursos. Não basta inaugurar, como ocorreu em alguns estados com a criação de UPAS que foram construídas e equipadas, e que, até hoje, estão fechadas por falta de recursos financeiros. Muitos estados brasileiros demonstram interesse em ter uma unidade SARAH, e nós sabemos fazê-las, mas é preciso ser muito realista, ter certeza que será executada e que funcionará plenamente, senão, o investimento pode significar jogar dinheiro público fora, e isso não pode continuar a acontecer no Brasil.

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Márcio Caetano