ENTREVISTA: Lorenzo Madrid, consultor internacional em Smart Cities


Entre os especialistas mais bem conceituados em Smart Cities e Tecnologia da Informação no mundo, Lorenzo Madrid explica a relação das cidades inteligentes com a qualidade de vida das pessoas.

JNB - O que são as Smart Cities?

LM - O conceito de Smart City é muito fluído, mas o fundamental que devemos saber é que uma Smart City é aquela cidade onde a tecnologia ajuda o cidadão a viver melhor. E quando me refiro à tecnologia, eu não estou falando apenas de eletrônicos que a gente liga na tomada, mas sim de uma série de técnicas e processos inovadores que são aplicados à cidade, buscando tra-zer uma melhor qualidade de vida para o cidadão. Então eu vejo muito nessa linha, de você criar situações no espaço urbano, seja ele concebido do zero ou já existente, no qual se usa mé-todos de governança e métodos tecnológicos para melhorar a qualidade de vida da comunida-de.

A Construção de uma Smart City é um processo ou um projeto?

Ele é um processo misturado a um projeto. Você não chegará a um fim se não houver um projeto a ser executado, com os seus objetivos específicos a serem atingidos. Ele é um processo contínuo de aprendizado em que o erro tem que ser admissível, só que com algum tipo de me-canismo que possibilite sua identificação. É importante falhar cedo para aprender com o erro e se corrigir, mas é melhor identificá-lo logo no começo para não o deixar crescer. No Brasil, as favelas representam um exemplo dessa situação, um dos grandes problemas que temos quando se fala de adensamento urbano, justamente porque é permitida a criação de uma situação onde um problema urbano se tornou insolúvel.

Quais são os eixos que classificam uma Smart City?

Inovação é importante, mas o fundamental é você ter em mente o objetivo do que pode ser feito para melhorar a qualidade de vida da população. Tecnologia é uma das dimensões. A governança, não só da implantação de um projeto, mas da própria gestão da cidade, é um ou-tro eixo importante. No nosso modelo conceitual, tudo começa com o pensamento estratégico, e a partir dele é que são estruturadas as táticas. Nessas táticas existem dois aspectos fundamentais que são as políticas públicas da cidade e os modelos de governança a serem aplicados. Muita gente fala que a Smart City nada mais é do que a evolução da vontade do governo em prover serviços. Com a evolução de soluções dentro do governo, com o modelo de governo eletrônico (E-Gov), começou-se a perceber que existiam características similares entre o E-Gov a Smart City, a qual acredito ser algo que está um pouco mais adiante com relação ao conceito do governo ele-trônico, mas os processos de aprendizado semelhantes, paralelos. O meu livro sobre os erros e aprendizados do governo eletrônico faz, a todo momento, uma comparação entre esses proces-sos, e isso é útil para a identificação de possíveis erros em cada um deles.

A tecnologia é um aspecto indispensável para uma Smart City?

Não existe uma regra. Você pode ter uma Smart City até sem tecnologia. O que é vital é você ter água limpa, ar respirável, uma vegetação adequada na cidade. Muitas vezes as necessida-des não dependem somente de tecnologia em si. Para termos uma cidade inteligente, precisa-mos educar o cidadão de maneira inteligente. O cidadão inteligente vai eleger o prefeito inteli-gente, que vai fazer um governo inteligente, que por sua vez vai gerar uma cidade inteligente. De tal forma, cria-se um ciclo virtuoso desse processo. A direção desse ciclo também pode ser a inversa, gerando um círculo vicioso, o que é ruim para todos.

Qual a relação de uma Smart City com a questão do desenvolvimento sustentável?

A sustentabilidade é parte do processo de uma Smart City, tanto é que hoje na Europa usa-se muito o termo “Smart and Sustainable City”, ou seja, inteligente e sustentável. Na realidade brasi-leira e dos países da América Latina esse passo de sustentabilidade ainda está um pouco distan-te. Na Europa já existem cidades que pretendem acabar com o transporte de combustão nos próximos 20 anos, algo ainda fora da nossa realidade futura.

Quais são os entes que formam uma Smart City e qual as responsabilidades de cada um?

A gente define, do ponto de vista conceitual, em quatro grandes atores. São eles: Cidadãos, Governos, Empresas e Universidades. São as bases fundamentais que precisam trabalhar em conjunto dentro de um modelo de governança para poderem gerar as diretrizes, perspectivas, objetivos e métricas que se busca atingir nesse processo. Usando uma metáfora, seria como uma canoa com quatro remadores. Se não houver uma sincronia entre eles, a canoa tende a virar.

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Márcio Caetano