Entrevista JNB: Fátima Sousa, candidata do PSOL ao governo do DF


Em nossa série de entrevistas com os candidatos ao Palácio do Buriti, nossa primeira convidada foi a professora da UnB Fátima Sousa. Ela é doutora em ciências da saúde, com pós-doutoramento em saúde pública no Canadá. Foi diretora da Faculdade de Ciências da Saúde da Unb e fez parte do comitê que criou Sistema Único de Saúde. Confira abaixo a entrevista com a candidata.

JNB: O que que a senhora sendo da área da saúde pretende fazer que a saída norte e todo o DF tenham um atendimento médico com dignidade e qualidade?

Fátima Sousa: Com o atual modelo que se adota na saúde nessa cidade, independente do governo que assuma, não terá solução. Tem se feito a opção de um modelo centrado em hospitais, centrado na doença, nos médicos e no processo de medicalização. Uma de nossas propostas é trazer uma ideia que tem dado certo no Brasil. Eu tive a honra de coordenar o programa de agentes comunitários no Brasil, que tem dado certo desde 1991, há quase 30 anos. Esse modelo traz um atendimento humanizado, sem focar diretamente na doença ou na medicalização excessiva. Tratar em casa a maioria dos problemas que as pessoas levam aos hospitais. O hospital é a ponta final do sistema de saúde. A saúde precisa começar dentro de casa com esses agentes, crescendo a rede. Ficou comprovado que em localidades onde esse modelo foi implantado, 80 a 85% dos atendimentos são resolvidos sem a necessidade de uma ida ao hospital. Esses 15% vão demonstrar quais são os problemas que a atenção básica não resolveu, fazendo com que as unidades de saúde tenham um direcionamento de reformulação, além também de pararem de funcionar sob lotação máxima.

Qual sua opinião sobre o Instituto Hospital de Base?

Quando o atual governo colocou esse assunto em debate, eu era diretora da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB, e me despi do cargo para me colocar como militante do Sistema Único de Saúde. Eu falei para o governador que ele estava abrindo mão de preceitos constitucionais, pois é dever do Estado assegurar a saúde e o direito à cidadania, porque ele estava privatizando o Hospital de Base. Os motivos que ele apresentou foi o aumento na agilidade na compra de medicamentos, que era um caos, ainda é um caos em todas as outras unidades hospitalares do DF. Não funcionou. Ele delegou a um Instituto a tarefa que antes era dele. E ele ainda afirmou que se eleito, vai levar esse modelo para todas os outros hospitais do DF. Ou seja, ele não aprendeu a lição. Nosso governo vai trazer de volta o Instituto Hospital de Base para o governo.

Sobradinho Hoje tem apenas 4 escolas de ensino médio, nenhuma delas com educação em tempo integral. Na educação básica e no ensino fundamental, também não existem unidades funcionando sob esse modelo. O que a senhora pretende fazer para a educação da região e o que o seu programa difere dos demais candidatos?

Nós possuímos um programa de governo que está para além de um programa, ele é um projeto para o DF. Dito isso, no caso da educação, o que Brasília precisa é de uma reforma educacional que coloque a capital de volta nos dias atuais nesse assunto. O primeiro passo é a realização de uma reforma político pedagógica, que a gente faça uma inversão de valor: mais aprendizagem e ensino equilibrado. Hoje podemos traduzir o ensino apenas como uma repetição de conteúdo. As escolas estão perdendo o sentido. Por isso os jovens e adolescentes são atraídos mais por outros espaços que não a escola. Outro ponto é a realização de uma reforma estrutural. As unidades escolares têm de ser ambientes onde o jovem se sinta acolhido, que os pais tenham prazer de participar das reuniões. Que toda a comunidade que faz parte do processo educativo sinta que aquela escola é uma escola de verdade. Segundo o TCDF, mais de 80% das escolas do Distrito Federal não estão em condição de funcionamento hoje. Um dos primeiros atos nossos será a transformação dessas escolas em ambientes atrativos.

Precisamos no ensino médio e fundamental, oferecer aos estudantes, se eles preferirem, fazer o ensino profissionalizante, temos de executar isso de maneira conectada, mas também apontar para outra condição real, que é o ensino superior. Hoje os alunos ficam restritos à Universidade de Brasília, e olha que ela é minha querida universidade, sou filha de lá, mas é insuficiente. Para isso queremos tirar do papel algo que está há mais de 25 anos na Lei Orgânica, que é a Universidade Distrital.

Educação, saúde e segurança passam todos por um ponto essencial que é a regularização fundiária. Sem legalidade, esses serviços não têm como chegar a determinadas localidades. A saída norte do DF concentra hoje aproximadamente 80 condomínios, localizados em área pública e privada, sendo que boa parte ainda está em situação irregular. Quais pontos seu programa aponta para uma solução para agilizar esse processo e torna-lo menos burocrático?

Nós precisamos separar o que é grilagem é o que é necessidade de ter uma moradia de maneira decente. Então por qual motivo essa confusão está acontecendo? Porque o governo não se antecipa, não tem uma política de habitação que evite o crescimento do problema. Por outro lado, coo vamos regularizar isso? A Agefis atua hoje como um órgão fiscalizador de matriz policialesca. O que nós vamos fazer com ela é que para além de fiscalizar, ela será um órgão educador e planejador, pois ficará responsável por traçar as ações de prevenção do problema. Vamos nos anteciparmos ao problema. Nos primeiros 100 dias de governo, vamos chamar toda a comunidade interessada nesse assunto e vê onde estão os focos onde o processo precisa caminhar mais rápido, elegendo uma frente de trabalho para isso. Vamos separar o que é especulação do que é necessidade real...

Como identificar a origem desses problemas? Como saber onde é especulação e onde é necessidade?

As pessoas de bem que compraram por necessidade, nós vamos dar prioridade. Os que compraram desavisados, nós também vamos regularizar e vamos quebrar na raiz os especuladores.

Hoje sabemos que o problema da mobilidade é algo caro para os moradores de Sobradinho, Planaltina e região. Engarrafamentos, falta de estrutura no transporte coletivo, ausência de opções de transporte. Quais soluções seu programa prevê para resolver o problema da mobilidade na região para que a população possa não apenas se locomover, mas se desenvolver?

O metrô é o eixo estruturante da mobilidade. Mas não vamos usar apenas o metrô, vamos usar o trem férreo, o BRT, todas em ações integradas. Não é uma ação isolada. O metrô é o centro, e nós faremos os vasos comunicantes. Um ponto importantíssimo também é propiciar aos usuários de bicicleta uma integração com todos os modais citados, construindo ciclovias e bicicletários. Outra ação que nós faremos será a liberação das catracas do metrô nos domingos e nos feriados. Faremos isso para criar outro sentido da mobilidade que é o uso do meio de transporte para viver a cidade, para além dos percursos de trabalho.

O desenvolvimento da saída norte é um assunto que vem mobilizando os candidatos nessa eleição. Pelos pontos de vista estruturante, vê-se claramente um desenvolvimento desequilibrado em comparação com a saída sul do DF. Quais são suas propostas para fortalecer a economia local e impulsionar o comércio da região?

Nós vamos fazer investimento público sim, recuperando as escolas, hospitais, criando saneamento básico, que é um ponto gravíssimo no DF. Na hora que o Estado investe, você gera emprego e renda, aquece a economia e coloca dinheiro na mão da população, entrando mais receita. Vou sentar à mesa com o setor produtivo para investir na economia criativa, no turismo, na agricultura familiar, criando uma cadeia de produção de orgânicos, onde o Estado seja o grande consumidor, com a alimentação das escolas e dos restaurantes comunitários por exemplo. Eu quero um Estado justo, que de uma resposta para a população.

No tema da tecnologia e do desenvolvimento, qual sua opinião sobre o Parque Tecnológico de Brasília e o que esperar do seu governo nesse sentido?

A ideia é maravilhosa, mas se perdeu na burocracia gerando pouco resultado. Nós vamos investir pesadamente no Biotic. Mas nós não vamos investir sozinhos. Vamos sentar com a UnB, com todas as instituições de ensino superior e os institutos de tecnologia que existem aqui.

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Márcio Caetano