ENTREVISTA: Diretores do CED 03 de Sobradinho Sgt. José Francisco Scartezini Jr. e a professora Andr


A Diretora Pedagógica, Andreia Martins, e o representante da Direção Disciplinar, Sargento Scartezini, falaram com a nossa equipe sobre a gestão compartilhada do Centro Educacional 03 de Sobradinho e qual o balanço eles fazem desta parceria.

Qual a avaliação a senhora faz deste novo modelo de gestão implantado aqui no CED 03?

Andréia Martins: Na Secretaria de Educação eles usam o termo “Projeto Piloto”, porque é algo novo, então nós estamos também aprendendo com o projeto. Estou no meu terceiro ano de gestão da escola com a equipe, e isso é algo totalmente novo para nós, estou na Secretaria de Educação há 22 anos e é a primeira vez que eu passo por isso, ser gestora de uma gestão compartilhada, então nós aprendemos todos os dias com o projeto, com os policiais, eles sempre tem algo para nos instruir e ensinar, os pais e os alunos vem aqui e dão sugestões. É um projeto construído em parceria.

Como funciona a Gestão Compartilhada?

Sgt. Scartezini: A Portaria 01 que criou o projeto prevê a gestão pedagógica pela Secretaria de Educação e a gestão cidadã e disciplinar a cargo da Polícia Militar. Então são dois diretores que são autônomos, mas interdependentes. Cada um com suas funções. A parte disciplinar a cargo da Polícia Militar, e a parte pedagógica a cargo da Secretaria. Tudo que é de ensino-aprendizagem não tem nenhuma interferência da Polícia Militar.

Entre os pontos mais defendidos pelo modelo, estão a redução da violência escolar e a melhoria no desempenho dos estudantes. Já existem indicadores que avaliam esses e outros objetivos? Qual é o resultado até o momento?

Andreia Martins: Um resultado que é muito nítido e já percebemos é a segurança. No ano passado, todo dia um aluno chegava relatando que havia sido roubado perto da escola, relatavam uso de drogas. Desde fevereiro esse número é zero. Os alunos chegavam machucados, chorando, batiam neles e os ameaçavam, e desde o início do projeto isso não aconteceu mais.

Algumas instituições e organizações como o Sipnro/DF e a Comissão de Direitos Humanos na CLDF são contra a gestão compartilhada nas escolas do DF. Segundo o observatório, a maioria dos policiais destinados às escolas se encontra em processo de reintegração, por conta de transtornos psíquicos. Procede essa informação? Que trabalho tem sido feito de adaptação tanto aos militares, quanto aos alunos, pais e professores?

Sgt.Scartezini: Da mesma maneira que em todos os órgãos têm alguns profissionais que são readaptáveis, na polícia militar nós não chamamos de readaptáveis, nós chamamos de restrição médica. A polícia tem as escolas de formação, tem o Instituto Superior de Ciências Policiais, alguns de nós que não tinham mais condições de ir para as ‘atividades fim’, nos especializamos para exercer da melhor forma possível as ‘atividades meio’. E esses que na ‘atividade meio’, que buscaram ramos da educação, foram os selecionados para vir para cá.

Algumas escolas também vivem problemas de alta rotatividade de policias, advertências abusivas, interferências nas atividades individual e até casos de assédio sexual, como o ocorrido no próprio CED 03, em Sobradinho. Caso esse tipo de problema ocorra a quem e como a população deve proceder para denunciar?

Sgt.Scartezini: Qualquer abuso, se o pai ou um aluno se sentiu lesado, de alguma maneira, se sentiu preterido de alguma maneira, ele pode procurar a Regional de Ensino pra fazer uma ocorrência. O aluno que se sentiu preterido em relação ao professor, procura a Direção Pedagógica para resolver. E aí a Direção Pedagógica resolve de imediato. O mesmo com a Direção Disciplinar. Agora, se ele não se sente à vontade para reclamar na Direção Pedagógica ou na Direção Disciplinar, o aluno pode procurar a Regional de Ensino, a Delegacia de Polícia, a Corregedoria da Polícia Militar, o Ministério Público, o Conselho Tutelar ou a Secretaria de Segurança Pública.

Segundo relatório da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da CLDF, a melhoria dos indicadores educacionais nessas escolas se dá mais pelo aporte de recursos do que pelo método de disciplina e ensino. Há uma diferenciação de investimentos nas escolas de gestão militar com relação às demais? Por quê?

Andreia Martins: Para esse ano ainda não há esse dado, mas queremos fazer para comparar. A gente já nota uma mudança nos corredores, no comportamento dos alunos, no diálogo conosco, o tratamento conosco melhorou. Não recebemos mais investimento por causa do projeto. Recebemos o dinheiro como qualquer outra escola, nenhum dinheiro a mais pelo projeto, pelo menos não até agora. Mas havia previsão de investimento, inclusive para o fardamento dos alunos.

Os sete melhores desempenhos da rede pública, no Ranking do Enem 2016 do estado do Goiás, foram alcançados por unidades comandadas pela PM. Aqui no DF, o Colégio Militar de Brasília atingiu a primeira colocação, no ano de 2017, no Índice de Desenvolvimento de Educação Básica. Quais são as principais razões para o desempenho superior dessas escolas?

Sgt.Scartezini: Aqui o que nós orientamos os alunos é em relação ao bom comportamento, a ter gentileza com os seus colegas, com seus professores, e a questão da educação ambiental e da limpeza da escola. Para isso a gente faz uso do próprio regimento disciplinar da Secretaria de Educação, onde determina que os alunos são responsáveis pelo lixo que produzem. São coisas que muitas vezes não são divulgadas, e a realidade das escolas cívico militares não é mostrada. Aqui a gente trabalha no aluno o convívio social respeitoso em relação a tudo, a ter respeito com professor, com os colegas, com o material escolar. O que mais importa é o respeito. A questão das notas é natural, se você ficar calado durante a explicação, você absorve, se você respeita o professor e colabora para que a aula possa fluir, você aprende melhor. Isso é automático. A gente cobra isso do aluno, e isso melhora as notas invariavelmente.

Do ponto de vista da segurança, você que estava acostumado a trabalhar na polícia, como você se adaptou nessa realidade para trabalhar com crianças, que tem muita energia?

Sgt.Scartezini: Eu fui voluntário, mas eu não imaginava que eu iria me apaixonar por essa rotina. Quando a gente chegou aqui dia 11 de fevereiro, nós estávamos ansiosos pra saber como seria, tanto em relação com o convívio com os alunos, quanto em relação aos professores. Em momento algum nós tentamos mudar o jeito de ser de cada um, sempre buscamos valorizar o respeito individual, o respeito mútuo. Tudo isso foi algo que nem nós imaginávamos que seria um resultado tão positivo. Os alunos tiveram aceitação a nossa presença, eles entenderam que nosso objetivo aqui era garantir a segurança deles. A cada dia que passa, eu me apaixono mais por essa atividade, eu já estava acostumado a dar aula para adultos, não imaginava como seria com crianças, e pra mim tá sendo um presente.

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Márcio Caetano