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"Educação pública exige ousadia", por Leandro Grass

Atualizado: Mai 28


O DF é a unidade mais desigual do Brasil. A concentração da renda espelha a concentração das oportunidades e a desigualdade na garantia dos direitos fundamentais. Entre os vários exemplos da distorção de cidadania na capital, o acesso à educação pública é um dos mais perversos. Segundo a CODEPLAN, cerca de um quarto da população acima de 25 anos não completou o ensino fundamental. 3% dos brasilienses ainda são analfabetos. Dados da Avaliação Nacional de Alfabetização mostram que 44% dos estudantes de 3º ano do Ensino Fundamental possuem desempenho insuficiente em leitura e 43% em matemática. Somos o 7º lugar no IDEB Nacional e não atingimos as metas para o ensino médio público. Destacam-se ainda a baixa infraestrutura e a carência de equipamentos essenciais. Por exemplo, podemos citar o fato de que apenas 30% de nossas escolas possuem quadras de esporte (Censo Escolar 2015).

Apesar dos números pouco animadores, o DF ainda está melhor do que muitas unidades da federação. Isso não é motivo para comemorar, mas ratifica o nosso potencial de promover uma boa educação pública. Nossos professores são os mais bem pagos do Brasil, apesar de ainda estarem distantes da valoriação e remuneração nos países de sucesso na aprendizagem. Temos uma quantidade relativamente pequena de unidades de ensino – pouco mais de 1000. A extensão do território potencializa uma gestão mais integrada e o compartilhamento de experiências de sucesso. Em 2017, tivemos 7,4 bilhões de reais para investir em educação. Em 2018, serão 7,9. Há inúmeras experiências inovadoras em nossas escolas, realizadas por professores/as egajados/as e que acreditam na capacidade dos seus alunos. Exemplos não faltam. Projetos como o Escola na Rua (Prof. Luna Lambert), Mulheres Inspiradoras (Prof. Gina Vieira), Matemática todo dia (Prof. do CEM 09 da Ceilândia), Monitorando minha Escola (Prof. e alunos do CED 14 da Ceilândia) e Quem ama Cuida (Prof. e alunos do CED 310 de Santa Maria) comprovam a riqueza metodológica dos nossos estudantes e profissionais.

Mas por que ainda não decolamos? Sabemos que o salto depende de muitas variáveis. A crise é estrutural e a escola não deixará de refletir problemas que estão para além dos seus muros, como a pobreza e a baixa oferta cultural. Por isso, sem prioridades claras e intersetorialidade continuaremos “enxugando gelo”. O pacto em torno da escola pública depende também de liderança e espírito inovador. Precisamos valorizar aqueles/as que estão “incendiando” (no bom sentido metafórico) as escolas. Colocar essa gente criativa e comprometida para partilhar suas experiências, transformando-as em projetos regionais e, posteriormente, em políticas públicas. Devemos cultivar nossas lideranças, reconhecendo-as e dando-lhes autonomia para conduzir rupturas maiores. A SEDF deve apoiá-las incondicionalmente sem tutelar e inibir. À frente desse processo de mobilização, precisamos de gestores inovadores. Gente que arrisca com fundamentação e conhecimento dos indicadores educacionais. Secretário/a e subsecretários/as certeiros/as e animados/as, que puxem movimentos de inovação nos processos pelos quais são responsáveis. Áreas como educação, saúde e segurança dependem muito disso, tendo em vista que estão fortemente atreladas a mudanças de valores e hábios sociais. Gerí-las sem ousadia é garantia de fracasso.

Portanto, tratemos de animar a educação pública! Professores inovadores, uni-vos!

Leandro Grass é professor, Sociólogo e doutorando em gestão pública pela UnB.

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