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Condomínios ou cidades: a vida dos moradores de super loteamentos no DF

Com administração e normas de convivência próprias, essas comunidades vivem quase que em separado do resto da cidade. O Jornal nosso bairro conversou com os moradores para contar um pouco mais sobre esse estilo de vida.


Condomínio RK | Foto: Raphael Senna

Uma “pequena cidade” dentro de outra. Assim funcionam alguns dos condomínios horizontais existentes no Distrito Federal. Cercados por muros, protegidos por cercas elétricas, guaritas de controle de acesso, com uma configuração única, legislação própria e uma administração que presta serviços que se assemelham aos de uma prefeitura. Nesses ambientes, mais de 700 mil pessoas no DF vivem como comunidades autônomas que são símbolo de qualidade de vida atualmente.

O modelo de condomínio fechado ganhou popularidade nos Estados Unidos antes dos países da América do Sul adotarem esse estilo de organização urbana. Desde a década de 70, corporações imobiliárias criaram e comercializaram espaços privados isolados, com uma logística interna de serviços.

De fato, a tranquilidade, segurança e a qualidade de vida são valores reafirmados constantemente pelos moradores desses condomínios ao descrever o porquê de optarem por esse estilo de vida.

De acordo com a União dos Condomínios Horizontais do Distrito Federal (UNICA DF), estima-se se que aproximadamente 25% da população opte por morar em condomínios em Brasília e isso se dá especialmente pela sensação de segurança que o controle de acesso e os muros oferecem. É o caso da professora de educação física Marina Argelia, que morava em Sobradinho e optou por comprar uma casa no condomínio Império dos Nobres, próximo à BR-020. “Eu morei em Sobradinho por 22 anos, e vim pra cá por causa da segurança, por ser um condomínio fechado, priorizei isso”, relata.

Contudo, os condomínios não ficam imunes a alguns problemas característicos da zona urbana. A presidente do Conselho do condomínio Império dos Nobres, Terezinha Lima, destaca que, mesmo dentro do condomínio, a comunidade passa por diversas situações do cotidiano de uma cidade, porém sem que se perca a característica de tranquilidade do ambiente.

“Todo mundo que veio morar aqui nos condomínios, veio por ser fechado. É claro que aqui temos problemas como em qualquer outro lugar. Barulho nas regiões comuns, problemas com uso de drogas, mau uso ou má manutenção das áreas comuns, mas em um universo de tantos lotes, acho que isso ainda é mínimo. Vale a pena, é seguro”, compartilhou.

O Império dos Nobres possui cerca de 761 lotes de uso unifamiliar e 77 comerciais, sem levar em consideração a quantidade de unidades em prédios que se desenvolveram contornando os muros do condomínio. “Nós estamos com um comércio muito mais rico em opções. Ainda há muito a se fazer, mas agora veio muito mais coisa para cá, inclusive foram construídos mais apartamentos na região comercial”, explicou Terezinha.

Bem ao lado do Império, se localiza um dos maiores condomínios da região, o Residencial RK, que possui cerca de 2.080 lotes divididos entre dois grandes conjuntos - Antares e Centauros – além de 41 lotes comerciais. Nele, há aproximadamente 1.900 casas construídas e cerca de oito mil moradores.

A moradora Marina Argelia também possui uma casa no condomínio RK e conta que a organização da administração é exemplar. “Eu participo mais lá do que aqui no Império. Eles são muito organizados, foi aprovado um projeto anual que, independente da gestão, deve ser feito. É um projeto muito bem feito e bem executado em todos os setores, tudo respeitando o meio ambiente, já temos as obras para contenção de águas pluviais concluídas, funciona muito bem”, comenta.

O comércio local é variado visando atender às necessidades imediatas dos moradores, já que o condomínio está situado em uma região mais afastada da BR-20. Com lojas que se dividem entre salões de beleza, farmácias, mercados, padarias, imobiliárias, academia, sorveteria, restaurantes, entre outros, todas as necessidades básicas do dia a dia são garantidas em um simples percurso a pé.

Outro residencial que serve de modelo no Distrito Federal é o condomínio Morada dos Nobres, que expressa bem o que é viver em harmonia com a comunidade. Com aproximadamente 350 residências, o condomínio se comporta como uma minicidade: possui zona comercial, áreas de lazer, administração central e serviços básicos como segurança e coleta seletiva.

A síndica Deuselita Martins se orgulha da organização e se diz muito feliz em morar no condomínio. “Moro aqui há 20 anos. Vim para cá por uma questão de segurança e qualidade de vida. Eu tinha filhos pequenos, e morar aqui permitiu que eles pudessem brincar na rua sem que eu precisasse estar sempre de olho. É um paraíso protegido, quase”, relatou.

ADMINISTRAÇÕES SÃO “PREFEITURAS”


Em todos os casos, as administrações locais assumem o papel de gestoras e responsáveis pelos serviços que, nas cidades, são dever do Estado. São eles: distribuição de correspondência, a coleta e a correta destinação do lixo, garantia a segurança interna dos condomínios e fiscalização do cumprimento do regimento interno pelos moradores.


No condomínio RK, por exemplo, apenas o abastecimento de água é feito pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). A iluminação comum interna foi concluída pela administração local em parceria com os moradores do residencial, com um investimento especial para que fosse feita toda com lâmpadas em LED. O serviço de correios também é gerido pela administração, assim como a limpeza das áreas comuns e segurança, que assume a responsabilidade de atuar como uma espécie de prefeitura local.

Já a coleta de lixo é realizada por uma Organização da Sociedade Civil (OSC), num programa de Responsabilidade Social, que garante que o lixo tenha a destinação correta daquilo que pode ou não ser reciclado ou reaproveitado.

No caso do vizinho Império dos Nobres, a situação se repete, porém com algumas

Terezinha Lima e Marina Argelia - Império dos Nobres

observações em relação à distribuição de correspondências e limpeza urbana das áreas comuns por parte de Marina Argelia. “Aqui é a gente que paga, temos um caminhão próprio. Lá na parte comercial tem mais problemas. A questão do correio é complicada porque assumimos esse problema quando fazemos compras pela internet, por exemplo. Em relação à questão de cartão de crédito também há alguns problemas, porque o mesmo deve ser entregue na sua casa e não na portaria. Então acaba gerando um pouco de confusão”, contou.

MUROS E GUARITAS

Alguns dos fatores dominantes na escolha por morar em um condomínio fechado é a presença dos muros e das guaritas que garantem o controle de acesso à região interna do Residencial. Segundo as regras vigentes no Distrito Federal, após a identificação, qualquer pessoa tem respaldo legal para entrar nos loteamentos. Na prática, as guaritas são responsáveis por controlar entradas e saídas de visitantes, mas estão sujeitas a questionamentos nos tribunais.

A fim de barrar a insegurança jurídica no que diz respeito a esse aspecto, o Governo do Distrito Federal (GDF) pretende regulamentar o controle de acesso aos conjuntos habitacionais, enviando à Câmara Legislativa o Projeto de Lei Complementar (PLC) dos muros e guaritas o quanto antes.

Hoje em dia, tanto o controle de acesso quanto a permanência dos muros são regulamentados e garantidos por um decreto publicado no Diário Oficial do DF (DODF) de 13 de setembro de 2018, pelo ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Em julho deste ano, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) concluiu uma série de cinco audiências públicas sobre a regulamentação de muros e guaritas e prepara a conclusão do estudo técnico que embasará a minuta do PLC sobre o tema. Se aprovado, o texto segue para a Casa Civil e será, finalmente, encaminhado para apreciação da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

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