Casos de Covid-19 no país podem ser 15 vezes maior que o registrado

Cientistas afirmam que subnotificação de casos é comum em cenários de pandemias. Nas redes sociais, casos de mortes não contabilizadas são comuns.





De acordo com o último boletim do Ministério da Saúde, a Brasil registrou até esta quinta-feira (26), 2.611 casos confirmados do novo Coronavírus (Covid-19), alcançando um total de 63 mortes. Entretanto, estima-se que os números não reflitam a realidade atual do contágio.


Falta de testes, alto número de casos, causa da morte por problemas respiratórios diversos, ou casos assintomáticos são algumas das justificativas para que os dados oficias sobre o novo Coronavírus (Covid-19) possam estar abaixo das estimativas projetadas. De acordo com o presidente do Hospital Albert Einstein, Sidney Klajner, "para cada caso da doença notificados hoje, outros 15 infectados permanecem sem diagnóstico".


A estimativa é que o país tenha o seu pico de contágio no mês de abril. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), países que estiverem com transmissão comunitária, que é o caso do Brasil, deveriam adotar o método de testes em massa, para ter uma real noção do número total de casos existentes.


O diretor da OMS, Tedros Ghebreyesus defende que "o meio mais eficaz de prevenir infecções e salvar vidas é quebrar as correntes de transmissão. Para isso, você precisa testar e isolar”, disse Ghebreyesus. “Nós temos uma mensagem simples para os países: testar, testar, testar. Teste todo caso suspeito.”


No entanto, o Ministério da Saúde declarou não ter insumos suficientes para cumprir a recomendação. O Ministro Henrique Mandetta afirmou que vai manter os testes apenas para pacientes internados e que apresentarem sintomas graves. "“Vamos manter a nossa posição, testar nos locais onde tiver transmissão comunitária os casos graves e de pessoas internadas”, disse.


Subnotifcação é comum em pandemias


A subnotificação de casos que ocorre com o novo Coronavírus no Brasil e ao redor do mundo é comum em epidemias e pandemias, afirmam infectologistas. A orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que se faça testagem e massa e rastreamento de contatos, mas o Ministério da Saúde admitiu a falta de exames para todos no Brasil.


Por isso, o isolamento voluntário, que tem sido a orientação, é apontado como medida para conter o avanço do novo coronavírus. De acordo com o epidemiologista Luis Góes, "era esperada essa subida de casos, olhando o gráfico de outros países como Itália e França. Mas acredito que a gente tenha um grande número de casos que não estamos detectando. A subnotificação é muito grande e está ocorrendo no mundo todo”, alerta Góes.


Um estudo publicado esta semana na revista Science declarou que o número de casos no Brasil pode ser 11 vezes maior que os exposto nos dados oficiais. O Brasil teria hoje pouco mais de 22 mil casos do Covid-19. A estimativa é do Centro para Modelagem Matemática de Doenças Infecciosas da London School of Tropical Medicine, do Reino Unido, que fez um cálculo da subnotificação da covid-19 em vários países.


O levantamento mostra que, no Brasil, apenas 11% do total de casos foram diagnosticados.

“Estamos vendo a ponta de um grande iceberg”, afirmou o epidemiologista Roberto Medronho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


Casos não relatados


Nas redes sociais, é comum encontrar relatos de internautas alertando para a subnotifcação no número de casos do País. Segundo alguns usuários do Twitter, "Mortes por coronavírus estão sendo registradas como "pneumonia" e não entram na contagem oficial". Em outros relatos, algumas cidades não possuem teste para o vírus.


Em São Paulo, 20 mortes estão tendo as causas investigadas. Já em Minas Gerais, o governo estadual investiga um boletim de ocorrência registrado na última sexta-feira (20), onde uma funerário de Belo horizonte afirma ter recebido 73 corpos em menos de 72 horas, 23 com a causa da morte descrita como "insuficiência respiratória aguda, pneumonia aspirativa e pneumonia crônica, sintomas associados ao coronavírus.

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Márcio Caetano