Número de homicídios de jovens aumenta no DF


Está cada vez mais perigoso ser jovem no Distrito Federal. De acordo com o Atlas da Violência 2018, elaborado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2016, 409 pessoas de 15 a 29 anos foram mortas no DF. Em 2015, foram 389 – um aumento de 7,1%. Já em todo o território nacional, o acréscimo foi um pouco maior: 7,4%. Pulou de 31.264 para 33.590.

Nesta mesma faixa etária, a taxa de homens mortos por 100 mil habitantes, em 2016, foi de 95,3. Já em 2015 foi de 91,7, uma diferença de 4% de um período para o outro. Porém, foi ainda menor que a taxa brasileira para o índice, que sofreu um aumento de 8%. Saiu de 113,6 para 122,6. Apesar de em menor número, os assassinatos de mulheres também aumentaram, tanto no DF, quanto no Brasil: saiu de 58 no DF, e 4.621 no Brasil, em 2015, para 64 na capital, e 4.645 nacionalmente. Um acréscimo de 10,3% e 0,5%, respectivamente.

Na edição deste ano, o Atlas da Violência alcançou, nacionalmente, a marca histórica de 62.517 homicídios – uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes. O índice é 30 vezes maior que o do continente europeu. Essa foi a causa de óbito de 56,5% de homens entre 15 e 19 anos. Já quando fatores raciais são adicionados, é possível perceber o aumento de mortes violentas de pessoas negras em todo o País.

Para o presidente do Conselho Administrativo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Cássio Thyone, todos esses dados, tanto os locais como os nacionais, seguem uma tendência de crescimento dos últimos anos e ocorrem por diversos motivos. “A melhor forma de interpretar esse aumento é admitir a falência das políticas públicas voltadas para a prevenção da violência. Há ausência do Estado. Os números são um alerta para a sociedade”, pontua.

A melhora, para o especialista, não virá da noite para o dia, mas ele diz que é necessário pensar em políticas de Estado, e não somente de Governo, tanto de curto quanto de longo prazo. Seriam necessários recursos e uma boa gestão para que as mudanças cheguem às próximas gerações. Cássio alerta que “todos somos responsáveis por esses jovens. Em especial, em um ano eleitoral. Eles não podem ficar sem uma boa educação ou perspectiva”, ataca o especialista.

O subsecretário de Gestão da informação da Secretaria de Segurança, Marcelo Durante, garante que o Governo de Brasília já percebeu a gravidade desses dados. Ele ressalta que a pasta criou programas como o Viva Brasília que busca minimizar o impacto da violência nas escolas públicas da capital. Segundo ele, na comparação entre 2016 e 2017, na faixa etária entre 18 e 29 anos, ocorreu uma redução de 18% nos homicídios. Já para as pessoas com até 17 anos, a queda foi de 37%.

“O jovem é tanto vítima quanto autor da violência. Temos que dar oportunidades de vida e alternativas para que ele seja incluído socialmente”, afirma Durante. Ele garante que esse trabalho de inclusão e de aproximação com esses jovens vai continuar para que as mudanças sejam vistas no futuro.

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Márcio Caetano